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Efeitos clínicos das micotoxinas

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Certa vez, as vacas em lactação de um rebanho pardo suíço apresentaram problemas de infertilidade. Foram observados sintomas de anestro, ninfomania, corrimento vaginal, etc. Para determinar a causa do problema, foram realizados exames de brucelose, leptospirose, IBR, BVD, IPV, mas, todavia, nada foi encontrado. Os problemas continuavam sem solução, até que um estagiário de uma faculdade se ofereceu para levar amostras dos ingredientes da dieta para examinar a presença de fungos e micotoxinas. Resultado: a amostra de milho continha uma toxina de Fusarium chamada de Zearalenona.

Em um outro rebanho de uma fazenda experimental, após quatro meses de avaliação de uma dieta para bezerras, foi observado que os animais apresentavam redução da ingestão de alimentos, pêlos arrepiados e opacos, apatia e redução do ganho de peso. A suspeita era de que os animais estavam sendo vítimas de uma parasitose. Entretanto, os exames de fezes não confirmaram tal suspeita. Alguns exames de sangue também foram feitos e não evidenciaram anormalidades. Finalmente, os ingredientes da dieta foram enviados para análise de micotoxinas e o resultado acusou uma alta contaminação por Aflatoxinas.

Além dos casos citados acima, muitos outros causados por micotoxinas poderiam ser enumerados. Os sintomas clínicos dos problemas causados pelas micotoxinas são variados, tornando, na maioria das vezes, difícil o diagnóstico. Entretanto, quando um caso é encontrado em uma região, há uma tendência em se diagnosticar quase tudo que não é evidente de micotoxicose. Muito cuidado deve ser tomado neste sentido, sendo que o diagnóstico laboratorial é a única garantia.

As micotoxinas ocorrem em todo o mundo, contaminando cereais e outros alimentos e representam um risco potencial à saúde humana e animal. Elas são metabólitos secundários dos fungos, assim como antibióticos e alcalóides. Uma espécie de fungo pode produzir diferentes toxinas e, além deste aspecto, um mesmo tipo de toxina pode ser produzido por diferentes espécies.

O curso das micotoxicoses nos animais pode ser agudo ou crônico, dependendo da quantidade da toxina na substância ingerida. Uma pesquisa austríaca destacou as mais importantes micotoxinas que afetam os bovinos. Observe na tabela abaixo as micotoxinas, sua fonte, seus efeitos e sintomas nos animais.

 

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Tabela 1- Efeitos tóxicos de algumas Micotoxinas

 

A prevenção das micotoxicoses está fundamentada nas técnicas agrícolas e na estocagem dos alimentos. As áreas de plantio deveriam ter um bom controle das pragas que danificam as sementes. A rotação das áreas e uma boa adubação também contribuem para controlar o desenvolvimento de fungos. Cuidados na estocagem são essenciais: os armazéns devem ser bem ventilados e sem propensão ao acúmulo de umidade. Grãos com alta umidade e, portanto, propensos ao desenvolvimento de fungos e, consequentemente, produção de micotoxinas, podem ser tratados com Ácido Propiônico que possui ação fungicida. A maioria dos métodos de detoxicação dos alimentos é pouco prática e muito cara.

Portanto, quando houver um problema sanitário de difícil solução em um rebanho e várias alternativas de tratamento não apresentarem resultado, procure por micotoxinas na dieta. Talvez esta possa ser a causa do problema.

Fonte: The Bovine Practitioner, Janeiro, p.34, 1998.

Texto de: Renata de Oliveira Souza Dias – https://www.milkpoint.com.br/artigos/producao/efeitos-clinicos-das-micotoxinas-16661n.aspx

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